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Grécia Antiga. Heródoto, Platão, Xenofonte e Ateneu descrevem, aos detalhes, aspectos ligados ao homossexualismo ateniense. A pederastia – relação sexual entre adultos e adolescentes – era uma prática “comum” na cidade-estado de Atenas. Jovens aprendizes, entre os 12 e 18 anos, submetiam-se a relações afetivas com seus tutores. Os filósofos atenienses viam na relação sexual com aprendizes uma forma de afinidade e de crescimento intelectual, o que representava uma realidade em ascensão em Atenas. Vista como exemplo de “democracia” no mundo antigo, a cidade-estado permitia aos seus cidadãos a livre opção pela sexualidade, mesclada com pequenos lampejos de organização social. O que os atenienses concebiam por “democracia” era, na prática, uma tipificação do que a sociedade contemporânea entende por “liberalidade sexual”.
Embora presente entre clérigos católicos da Idade Medieval, é com a Igreja Católica Apostólica Romana que os primeiros embates em torno do homossexualismo ganham forma e dimensão. Durante todo o período da Inquisição, e particularmente em Portugal, os conflitos com homossexuais aumentam na medida em que o Santo Ofício determina penas severas aos praticantes da livre opção sexual, como morte por fogueira. Um sermão proferido por ocasião de um Auto de Fé em Lisboa, em 1645, exemplifica o clima de embate entre católicos e homossexuais. “O crime de sodomia é gravíssimo e tão contagioso que em breve tempo infecciona não somente casas, lugares, vilas e cidades, mas ainda reinos inteiros! Sodoma quer dizer traição. Gomorra, rebelião. É tão contagiosa e perigosa a peste da sodomia que haver nela compaixão é delito”.
Na segunda metade do século XX, em Nova York, ocorre o que ficou conhecido como “Rebelião de Stonewall”. Reunidos no “Stonewall Bar”, em 28 de junho de 1969, cerca 400 gays desencadearam um movimento de rebelião contra a polícia nova-iorquina, com base na alegação de que eram constantemente “vítimas” de maus tratos e extorsões, por parte da polícia. A rebelião serviu de base para o início do que o movimento LGBT chama de “celebração do orgulho gay”, como também passou a ser utilizada como base de sustentação dos atuais movimentos de defesa dos direitos gays, havendo desdobramentos em inúmeros outros países, sendo o continente europeu a principal área de atuação dos ativistas, e a partir de onde várias organizações passaram a influenciar de forma decisiva outras regiões do planeta, a exemplo da América Latina. No Brasil, como também no México e na Argentina, o movimento homossexual se articula no sentido de pressionar o Estado a promulgar leis em defesa da comunidade gay, sendo o casamento civil, o direito a herança e a adoção de crianças alguns dos pontos defendidos, além de uma tentativa de fazer punir qualquer forma de expressão contrária ao homossexualismo. Neste contexto, evangélicos e católicos tornam-se os alvos principais de campanhas e protestos.
O direito a expressão religiosa, garantida pelas Constituições de 1891 e 1989, por exemplo, concede às entidades religiosas total liberdade para exporem opiniões e doutrinarem seus membros ou adeptos de acordo com suas normas de conduta e crença internas, o que inclui a questão da constituição familiar. A defesa, feita por igrejas evangélicas, de que homossexuais podem ser tratados e recuperados, é um direito constitucional, do qual o movimento LGBT não pode se levantar. Não há como equiparar, por exemplo, a critica a prática homossexual com os crimes de ordem racial. São casos distintos. Desde que entendida como opção de vida, de natureza psicológica ou social, o homossexualismo é passível de enfrentamento e recuperação. Ao mesmo tempo, as igrejas evangélicas têm o total direito de se oporem a influência de lideranças gays em assuntos do governo, como a educação sexual infantil, além de outros temas não diretamente ligados a questão homossexual, mas que interferem na ordem social.
A que se ressaltar, no entanto, que os direitos fundamentais do ser humano devem ser respeitados, mesmo diante de disparidades de ordem social ou religiosa. A crítica tem de ser baseada na prática, e não no praticante. Qualquer tipo de agressão ou incentivo à agressão deve ser punido na forma da lei. Tem-se que, ao mesmo tempo, respeitar os limites entre Estado e Igreja, bem como entre entidades representativas e o governo. Por mais justa e constitucionalmente correta, o enfrentamento da prática homossexual tem de ser feita internamente, voltada para a valorização dos princípios defendidos pela entidade religiosa, e jamais de forma estadualizada, porque poderia incorrer em algo próximo aos países teocráticos. Também não compete ao Estado financiar projetos ou materiais que fazem apologia ao homossexualismo. A defesa de minorias étnicas é uma questão totalmente diferente do uso do aparelho público para a defesa do homossexualismo.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Trazidos da África para substituírem os índios no trabalho de mão de obra escrava, os negros que aqui chegaram tiveram de se adaptar à religião dos senhores escravistas, temerosos pelas constantes punições decorrentes do Tribunal da Inquisição. Em todo o país, mas particularmente na Bahia, os negros adoradores dos orixás se viram obrigados a adaptarem suas crenças e nomenclaturas às crenças e santos católicos. O sincretismo religioso foi a saída encontrada para a manutenção de suas comunidades e devoção religiosa – cada um dos 16 orixás cultuados pelos africanos de origem iorubá ganharam correspondentes no Catolicismo Romano. Dessa forma, Ogum, tido como orixá guerreiro, é associado a São Jorge, e Iansã, deusa dos ventos, a Santa Bárbara.
Tal sincretismo religioso – já antes verificável nos primórdios da Igreja Católica, em Roma e a partir de 385 d.C.– se deu no campo das crenças, da transposição de liturgias e de ídolos pagãos. Atualmente, no entanto, um novo tipo de transposição vem ocorrendo particularmente nos países de maioria cristã. A busca por aceitação social, comodidade, compatibilidade etc. vem norteando o surgimento de novas igrejas (inclusivas?) e tendências dentro de denominações protestantes e também católicas. São praticamente os mesmos objetivos dos negros africanos e dos pagãos europeus do período da conversão compulsiva, mas com uma variante: o foco hoje é o adaptar da fé a um estilo de vida, de opção sexual e de consumo. A ordem natural – pregada pela maioria das igrejas cristãs – é de que o meio tem de se adaptar a fé e não o inverso.
Vivemos um período de pós-modernidade, de contestação ao modelo tradicional de família, de conduta social. Progressistas e outros mais sugerem um novo modelo de sociedade, caracterizada por uma crescente liberalidade sexual, de opinião e quebra de outros valores tidos como fundamentais da humanidade. Há uma preocupação, contextualizada pela eleição do novo papa, quanto à preservação dos valores morais e a integração dos grupos sociais ao sagrado. O homossexualismo é um dos focos de preocupação, por conta da tentativa de aceitabilidade social. Para tal aceitabilidade social – acreditam alguns grupos de homossexuais -, o casamento cível, a adoção de crianças e o desenvolvimento de uma prática religiosa qualquer são elementos vitais. Há, portanto, uma tentativa de enquadramento da sociedade ao seu estilo de vida.
Neste contexto, a religião também deve ser adaptada, mesmo com uns poucos arranjos doutrinários. As igrejas inclusivas – das quais a Igreja da Comunidade Metropolitana, a Igreja Cristã Contemporânea e a Comunidade Cristã Refúgio destacam-se no cenário religioso brasileiro – propõem a inserção de homossexuais no universo evangélico, citando a Bíblia como “favorável” ao homossexualismo. A tentativa de adaptação da fé ao meio é nítida com a publicação, por Gladstone, do livro A Bíblia sem preconceito. Fundador da Igreja Cristã Metropolitana (2006), o carioca Marcos Gladstone acredita ser o homossexualismo uma prática natural e diz ter como principal objetivo auxiliar homossexuais vitimas de preconceito em igrejas evangélicas.
Embora diferente, a adaptação da fé ao meio é uma prática cada vez mais comum em igrejas neopentecostais, a exemplo da Igreja Universal, da Renascer em Cristo, da Bola de Neve e da Sara Nossa Terra. Se na Igreja Universal há uma tentativa de adaptação da fé ao estilo de vida consumista de seus fieis, na Renascer, na Bola de Neve e na Sara Nossa Terra há uma estratégia no sentido de acomodação de seus membros, com a reencenação do estilo de vida secular. Dessa maneira, o púlpito ganha a forma de uma prancha de surfe, a igreja é usada como pista de dança, de lutas de MMA e disputas de skate. Há uma tentativa de adaptação da fé ao meio, uma espécie de contextualização da mensagem bíblica com foco em grupos específicos, como surfistas, skatistas, fankeiros etc. A estratégia é vista com preocupação por outras denominações evangélicas, que veem no modelo uma distorção da liturgia bíblica e uma superficialidade da vivência cristã.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Por Homero (séc. VIII), ficamos sabendo que a Guerra de Troia foi um grande conflito entre gregos e troianos, ocasionado pelo rapto da princesa Helena – esposa do rei espartano Menelau. Passados dez anos de intensos combates – que ocasionou a morte, de ambos os lados, de centenas de soldados e “heróis” de guerra -, Odisseu concebeu uma estratégia que poria fim aos conflitos: os soldados deveriam deixar o campo de batalha e embarcarem em seus navios, deixando em terra um gigantesco cavalo de madeira. Encontrado, foi levado para dentro dos muros da cidade para ser exibido ao público. À noite, enquanto os troianos dormiam, soldados gregos saíram do interior do cavalo para abrir os portões da cidade, permitindo a entrada de centenas de guerreiros, os quais subjugaram seus inimigos.
Desenvolvido pelos gregos como uma forma de estratégia para a derrota dos troianos, o Cavalo de Troia passou à história como um modelo de infiltração e dissimulação, desde então usado por governos e grandes corporações na tentativa de subjugar psicologicamente civis e consumidores. Marketeiros (políticos e comerciais) dedicam-se, hoje, a criação de figuras emblemáticas a partir do nada, transformando perdedores em vencedores e vencedores em perdedores. Segundo Braick, Patricia Ramos, Mota e Myriam Becho, autores de História, das Cavernas ao Terceiro Milênio (Moderna, 1998, p.101), a “manipulação do imaginário social, para a construção da imagem daquele que irá ocupar o poder, é particularmente importante”. Citando teorias filosóficas que auxiliaram reis durante o absolutismo monárquico, os autores concluem que “esses pensadores fizeram mais do que vender a imagem da realeza”.
A teoria do Cavalo de Troia é igualmente usada por movimentos destrutivos, a exemplo das diversas seitas norte-americanas que manipulam seus seguidores ao exigir total rompimento com familiares, amigos e relacionamentos amorosos como forma de dedicação à nova fé – à fé comunitária e isolacionista. O engodo, neste caso, é a ideia de que o líder religioso possui condições e conhecimentos necessários para livrar seus seguidores do mal, do inimigo que solapa a humanidade. É comum a veiculação de teorias conspiratórias, de mensagens do além sobre um possível despertar ou desfecho dos séculos, causado por um grande cataclisma mundial. Há sempre um inimigo a ser combatido, seja ele espiritual ou material. Jim Jones, para escapar da influência do governo dos EUA e continuar a explorar seus seguidores, transferiu sua organização religiosa para uma colônia agrícola de Jonestown, na Guiana Inglesa, onde liderou o maior suicídio em massa da História, quando 913 pessoas morreram vítimas de envenenamento.
Da Coreia do Sul para os EUA, o reverendo Sun Myung Moon (1920-2012) foi o responsável pela organização da maior e mais bem organizada seita destrutiva em atividade no mundo. Fundada em 1954, a Igreja da Unificação diz ter como principal missão recrutar jovens dinâmicos e do tipo mochileiros para participarem da construção do reino de Deus na Terra, missão está reivindicada por Moon. Segundo o jornalista francês Jean-François Boyer, autor de O Império Moon, os bastidores de uma seita impiedosa (Editora Globo, 1988, p. 27), “para acolher os candidatos nas melhores condições psicológicas possíveis – na calma, longe da família, dos amigos e tentações -, a igreja necessita de casas afastadas, espaçosas e, se possível, atraentes. Isso explica o porquê de o Movimento possuir em todo o mundo e em tão pouco tempo um rico patrimônio imobiliário”. Concluindo, Boyer declara que uma das fórmulas criadas pelo reverendo Moon para recepcionar novos candidatos, é “bombardeá-los com amor”. E eles o são!
Apesar de fundador e principal líder da Igreja da Unificação, Moon teve o auxilio de Yong Oon Kim, professora na Universidade cristã de Ewha, em Seul, onde, à época, lecionava Novo Testamento e religiões comparadas. Após contato com os ensinos de Sun Myung Moon – inicialmente com objetivos profissionais, de investigação -, Kim adere ao movimento, sendo a responsável pela aproximação da pequena comunidade com a alta burguesia coreana, elevando-a a novos patamares. É com o general Bo Hi Pak e seus recrutas que a Igreja da Unificação assumiria sua principal característica – a de oposição ao comunismo. Defensores da pátria e ferrenhos opositores ao comunismo, o grupo liderado pelo general Pak serviu de inspiração ao reverendo Moon. “Compreende também que ninguém pode se tornar influente na Coreia sem aparecer como um líder anticomunista confiável e eficaz” (O Império Moon, p. 125). Convertidos, Pak e seus recrutas deram novo sentido à Igreja da Unificação, fazendo dela uma potência mundial.
No Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus (1977) incorporaria parte das estratégias adotadas pela Igreja da Unificação, como investimento maciço em meios de comunicação, influência política e social, e o combate às religiões afro-brasileiras e o catolicismo romano como sua bandeira principal. Na guerra por consumidores de seus produtos e soluções mágico-espiritualistas, o senso de ética perde o sentido. Não há mais respeito à vida; no lugar, o aborto é reivindicado como elemento de disputa por fieis. De forma semelhante, a Igreja da Unificação – apesar de hastear a bandeira de promotora da paz no mundo – financia e aparelha guerrilhas da América Latina e África. São mecanismos de infiltração, de dissimulação de suas reais intenções na sociedade.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Conhecido como “laboratório religioso”, o Japão dos antigos samurais e imperadores-deuses tem sido palco do surgimento de diversos grupos religiosos sincréticos, com raízes no Xintoísmo, Budismo e Cristianismo. Com o término da Segunda Guerra Mundial e a promulgação da Constituição Pacifista, em 1947, o Japão deixa de ter uma religião oficial – o Xintoísmo – ao proclamar a liberdade religiosa em todo o país. Antigas religiões até então oprimidas, como a Tenrikyo, Konkokyo, Oomotokyo e a Hitonomichi (atual Perfect Liberty), saíram das sombras do governo imperial para conquistar o arquipélago e outras regiões do mundo. Do encontro com a religiosidade ocidental também ganhariam destaque a Seicho-no-iê, de Masaharu Taniguchi (1930), e a Igreja Messiânica Mundial, de Mokiti Okada (1945).
A religiosidade japonesa também seria marcada, nas décadas seguintes, pelo surgimento de grupos fundamentalistas, como a Pana – Wave – grupo religioso fundado em 1977 por Yuko Chino, a partir de uma experiência com um grupo religioso conhecido como “A Verdadeira Lei de Chino”. Entre as décadas de 80 e 90 esteve envolvida em uma série de polêmicas no Japão, como previsões de que o país seria varrido por ondas eletromagnéticas e mudanças climáticas catastróficas. Em 1995, outro grupo religioso fundamentalista ganharia notoriedade internacional após promover um ataque terrorista ao metrô de Tóquio, quando pelo menos 6 mil pessoas foram expostas ao gás sarin, causando a morte de doze. Fundada em 1984 por Shoko Asahara – que afirma ser a reencarnação de Shiva, divindade hindu, Buda e Jesus – a Verdade Suprema passou a fazer parte de uma lista de grupos que colaboram com o terrorismo.
Na esteira de grupos religiosos fundamentalistas um novo movimento começa a se desenvolver a partir de 1986, por meio de Ryuho Okawa. Formado em Finanças Internacionais pelo Centro de Graduação da Universidade de Nova York, Okawa aponta o mês de março de 1981 como a data de seu “despertamento divino”. Segundo ele, revelações de grandes mestres budistas falecidos, como Nikko (1246-1333) e Nichiren (1222-1282), o descreviam como a reencarnação de El Cantare que, no passado, teria vivido na pele de La Mu, Thoth, Rient Arl Croud, Buda, Hermes e Ophealis. Okawa seria uma espécie de “núcleo da consciência de El Cantare”, cujo nome significa “o maravilhoso mundo de luz, terra”. Ele é, segundo acreditam seus discípulos, o deus de amor, a fonte de toda vida que envolve a humanidade e a Terra.
Autor de mais de 800 livros em 18 idiomas – e com mais de 100 milhões de cópias vendidas -, Okawa também ministra palestras em diversos países, tendo pelo menos 1400 palestras gravadas e disponíveis em DVD. Afirma ter como objetivo trazer felicidade à humanidade e em suas palestras ministra temas como prosperidade, as leis do Sol, o poder da mente, descubra o pensamento vencedor. Também é protagonista de polêmicas, como a ideia de que a Coreia do Norte pretende dominar o Japão e que o anjo Gabriel vai reaparecer em Bangkok, em 50 anos. Em 2009 fundou o Partido para a Realização da Felicidade, do qual é o atual presidente, por acreditar que os dois principais partidos do Japão não têm definido uma política clara em relação às ameaças da Coreia do Norte.
Dos três principais livros de Ryuho Okawa, dentre os quais um em que descreve o fim do mundo com o avanço do poderio militar norte-coreano e o aparecimento (ou renascimento) de Buda, foi adaptado ao cinema com títulos como o “Juízo Final” e o “Reaparecimento de Buda” – este último disponível integralmente no YouTube. Embora tenha se manifestado publicamente contra o atentado terrorista promovido pelo grupo de Shoko Asahara, em 1995, e tenham se enfrentado por diversas vezes em meios de comunicação do Japão, com frequência a imprensa local estabelece semelhanças entre os dois grupos. Na Uganda, há quatro meses, Okawa reuniu pelo menos 10 mil pessoas no estádio Nelson Mandela com transmissão ao vivo via 3 canais de televisão e teve a reprovação de evangélicos nacionais que protestaram contra o que chamaram de “abominação”.
Happy Science
Fundada em 1986 por Ryuho Okawa, a Happy Science (Ciência da Felicidade) logo alcançou países como Coreia do Sul, Austrália, China, Uganda, Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá e Brasil. Inaugurado em maio de 2010, o templo da Shoshinkan do Brasil, situado na Rua Domingos de Moraes, 1154, na Vila Mariana, São Paulo, SP, passou a ser a base, de fato, de operação da Happy Science no Brasil que conta ainda com outras três sucursais na capital paulista, uma em Santos, Jundiaí, Sorocaba e fora do Estado, no Rio de Janeiro – a sucursal de Jundiaí teria sido a primeira aberta no Brasil. Com direção do monge Carlos de Melo, a Happy Science do Brasil promove diversos eventos por todo o país, como uma conferência para 500 pessoas no Hotel Parque Balneário, em Santos, em 2008, e, 2 anos depois, uma rodada de cinco palestras ministradas por Ryuho Okawa no Estado de São Paulo.
Não há estatísticas oficiais do número de seguidores, mas a Happy Science afirma ser uma “religião universal” que congrega e convida pessoas de diferentes denominações religiosas para participarem de suas palestras. “A Ciência da Felicidade é uma religião universal aberta para pessoas de todas as origens, sejam cristãs, budistas, hinduístas ou muçulmanas. Na qualidade de membros, todos estudam junto à doutrina universal da Verdade. Para o ingresso, há um formulário de inscrição e uma breve cerimônia de boas-vindas, na qual lhe perguntam, ‘Você acredita no Senhor El Cantare?’ Todos recebem o livro de orações, Darma do Correto Coração”. A IRH Press é a editora responsável pela publicação dos livros de Okawa no Brasil e da revista Happy Science. Hoje, 30, entre às 16 e 20h, na livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera, promove uma palestra e o lançamento do livro As Leis da Imortalidade, de Okawa.
Johnny Bernardo
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Idealizado por Watchman Nee e Witness Lee, o modelo da Igreja Local chegou ao Brasil em 1959. Dezesseis anos depois Dong Yu Lan passou a responder, desde então, pelas atividades da IL na América do Sul. No mesmo ano, fundou a Editora Árvore da Vida e, nos anos seguintes, o jornal Árvore da Vida, a Estância Árvore da Vida – localizada em Sumaré, São Paulo, e que possui um auditório com capacidade para 10 mil pessoas – e a Expolivro Árvore da Vida – um ônibus – livraria que percorre o Brasil e países vizinhos divulgando as doutrinas da Igreja Local.
Após sua visita ao Brasil, em 1984, Witness Lee participou de uma reunião nos EUA onde apresentou um breve relatório do crescimento do modelo de igreja no país. Segundo ele, apesar de mais de 25 anos de atividade no Brasil, as igrejas possuíam não mais que mil frequentadores. Lee associou o baixo crescimento ao livro The God-Man (1981), onde Neil T. Duddy faz duras críticas ao modelo da Igreja Local, acusando-a de manipular financeiramente seus seguidores, incitar confrontos contra cristãos, perseguir ex-adeptos etc.
Segundo ex-seguidores de Witness Lee, seu esforço “evangelístico” consiste em enviar equipes para cidades circunvizinhas e contatar pessoas em abordagens diretas em praças ou de porta em porta. A IL também promove encontros mensais na Estância Árvore da Vida, além de reuniões nos BooKafés – mistura de livraria com cafeteria onde os seguidores se reúnem para estudar os livros de Witness Lee. Atualmente o número de seguidores da IL no Brasil gira em torno de 20 mil, havendo – segundo informações da IL – mil igrejas em todo o país, denominadas de acordo com a cidade em que está situada, como a Igreja em São Paulo, a Igreja no Rio de Janeiro, a Igreja em Belo Horizonte, a Igreja em Brasilia etc.
Intimidação
Semelhante à Cientologia, a Igreja Local recorre ao Judiciário na tentativa de intimidar supostos “difamadores” de suas crenças e práticas. Dois dos mais conhecidos processos judiciais – abertos por representantes de Witness Lee nos Estados Unidos – foram movidos contra os pesquisadores John Ankerberg e John Weldon e o autor de The God-Man. Dois anos depois de sua publicação em inglês, The God-Man foi traduzido para o alemão, dando início a uma nova corrida judicial.
Com a introdução, em 1999, na Enciclopédia de Seitas e Novas Religiões, publicação da Harveste House, de uma nota sobre a IL, um novo processo foi aberto no Texas, EUA e rejeitado pelo mesmo tribunal sete anos depois. Não satisfeitos, os representantes legais da IL entraram com uma petição no Supremo Tribunal Federal dos EUA, sendo novamente rejeitada em junho de 2007.
Exemplo da ofensiva da Igreja Local foi a declaração – feita por Witness Lee, em Anaheim, EUA, em 1984 – de que o livro “maligno” de Neil T. Duddy deveria ser destruído e retirado do mercado de todos os países – confira parte da reunião e declaração no YouTube.
Johnny Bernardo
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Especulações a respeito da história contada na Bíblia sobre a vida de Jesus e principalmente sobre os anos que não são registrados no livro sagrado, formam o tema da edição de dezembro da revista Aventuras na História.
A publicação faz diversas afirmações sobre as mais variadas fases da vida de Jesus. Há especulações de que Jesus teria nascido de uma relação extraconjugal, e que ele teria crescido sendo impaciente com professores, desobediente com seus pais e até amaldiçoado e agredido outras crianças.
A revista levanta ainda como hipótese uma suposta fuga de Jesus na época da crucificação, o que derrubaria por terra o plano de salvação. Como extensão dessa ilação, Jesus teria ido viver na Índia, onde teria se integrado aos costumes locais e morrido aos 120 anos.
Outras situações, como a existência de um evangelho escrito por uma mulher, que seria mulher de Jesus, também são mencionadas pela revista. “Há uma tentativa de desconstrução da imagem de Jesus, descrita nos Evangelhos”, afirma Johnny Bernardo, pesquisador e colunista do Gospel+.
Segundo Bernardo, alguns consideram Jesus apenas como um profeta e, por isso, olham a vida e ministério dele como uma história intrincada e rica, tornando-a um produto: “Jesus é explorado como nunca em livros de autoajuda, revistas, sites, etc.”, observa.
O pesquisador afirma que outros grupos também possuem interesses em forjar a imagem de que Jesus possuía envolvimentos com o misticismo, e ressalta a importância de levar em consideração apenas o relato bíblico: “Não há nos Evangelhos um detalhamento da vida de Jesus do período dos 12 aos 30 anos [...] simplesmente porque o foco da narrativa se concentra no ministério de Cristo, exercido após os 30 anos [...] O que temos de concreto é que Jesus cresceu ao lado de sua família, exercendo a profissão de carpinteiro e dedicando-se ao Reino de Deus”, pontua.
Bernardo encerra suas declarações a respeito das especulações citando uma passagem bíblica que explica a ausência da narrativa entre os 12 e 30 anos de Jesus: “Como o próprio apóstolo ou evangelista João declara: ‘Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém’ - João 21.25”.
Por Tiago Chagas, Fundada por Ezequiel Gamonal, na década de 60, a Associação Evangélica da Missão Israelita do Novo Pacto Universal (AEMINPU), de caráter sincretista, há pelo menos 5 anos virou alvo de uma investigação federal. Motivo: membros de comunidades instaladas ao longo do Rio Javari, na fronteira do Brasil com a Colômbia e Peru, teriam participação no plantio e refino de cocaína. A denúncia, veiculada no programa Fantástico (2/12), trouxe à tona uma questão: até que ponto denominações religiosas teriam envolvimento com o crime organizado?
A polêmica em torno da AEMINPU seria apenas mais um caso de sobrevivência, consequência da falta de recursos financeiros na selva amazônica? Embora seja verdade que boa parte das comunidades situadas na fronteira com o Brasil, o que inclui Colômbia, Bolívia e Peru, tenham na plantação da folha de coca uma das poucas opções de sobrevivência, em muitos casos o envolvimento parece ir um pouco mais além, como o refino e transporte de cocaína. Em agosto de 2000, segundo informações da Folha de S. Paulo, a polícia colombiana apreendeu uma escopeta, cinco revólveres, duas pistolas, três rádios transmissores e farta munição no barco em que viajava o então líder da seita, Ezequiel Jonas Ataucusi, irmão de Ezequiel Gamonal.
O deslocamento, há mais de duas décadas, de comunidades inteiras de discípulos dos irmãos Gamonal para a região fronteiriça com o Brasil, chamou a atenção da PF após suspeitas de que o deslocamento teria como objetivo explorar a mão de obra dos fieis no plantio da folha de coca. A migração para a planície da floresta amazônica peruana coincide com o começo do cultivo da folha na região. Há décadas cultivada nas regiões mais elevadas dos Andes, as planícies sempre foram vistas como impróprias para o cultivo. Segundo o Wall Street Journal, novas técnicas possibilitaram à Cushillococha, aldeia da tribo Tucuna às margens do trecho peruano do Amazonas, a criação de uma das maiores plantações de matéria-prima de cocaína do mundo.
Com sede em Lima, Peru, a Associação Evangélica da Missão Israelita do Novo Pacto Universal está presente em pelo menos 8 países da América do Sul, 4 da América Central, Estados Unidos e Espanha. Registrada no Brasil há 15 anos, a AEMINPU possui templos em Manaus, Belém, Boa Vista e São Paulo – seu primeiro templo no país teria sido construído em Tabatinga, Amazonas. São Paulo é a principal base de atuação da seita, sendo o missionário Antônio Marin o responsável pelas atividades da seita no Brasil.
Extensão
O suposto envolvimento de membros da AEMINPU com o tráfico de drogas não é um fato isolado. No Brasil, pelo menos três grandes denominações tiveram seus nomes envolvidos em denúncias e investigações por associação com o crime organizado: Mundial do Poder de Deus, Universal do Reino de Deus e Pentecostal Deus é Amor. No dia 11 de março de 2010 a IMPD teve seu nome estampado nos principais jornais após a prisão de três de seus pastores acusados de tráfico de armas. A IURD também seria alvo de acusações, como a do ex-bispo Carlos Magno de Miranda que, em entrevista ao blogueiro Vini Silva, revelou que a Rede Record de Televisão teria sido comprada com dinheiro do Cartel de Cali. Denúncias de um ex-tesoureiro da IPDA e investigações feitas pela PF a partir de 1996, revelaram que membros do alto escalão da Deus é Amor teriam participação em esquemas de lavagem de dinheiro do narcotráfico.
Características comuns (destrutivas) são facilmente percebidas entre as denominações com a seita peruana, como técnicas de controle psicológico, uso de temas apocalípticos como forma de coação (IURD – AEMINPU), regras rígidas de comportamento e de usos e costumes (IPDA – AEMINPU) e militância política (IURD – AEMINPU). A presença de uma figura messiânica, centralizadora e arregimentadora é outra característica comum quando comparamos as denominações com a seita peruana e outras seitas destrutivas, como o Templo dos Povos. Há sempre uma mensagem de libertação, de entrega física e espiritual, de combate às forças do mal, de isolamento psicológico e social, de rompimento com pessoas que possam atrapalhar nossa conexão com o divino, de entrega à causa ou ideologia. É parte da programação, da manipulação que centenas de adeptos são submetidos diariamente e em todo o mundo.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Há fortes indícios de que o próximo papa poderá ser um cardeal brasileiro. Com a eleição do polonês Karol Wojtyla, em 1978, tinha fim uma hegemonia italiana de 458 anos – desde 1520 apenas cardeais italianos ocuparam a presidência mundial do Catolicismo Romano. Em 2005, foi a vez do alemão Joseph Ratzinger ser eleito papa. Conhecido como Bento XVI, Ratzinger colocou em prática seu conservadorismo, chamando a atenção para a importância do matrimônio heterossexual, o combate ao aborto e os métodos anticonceptivos. Ao mesmo tempo, deu sequência ao diálogo ecumênico, iniciado com o Concílio Vaticano II e colocado em prática pelo papa João Paulo II.
A ruptura na hegemonia italiana e as mudanças advindas do Vaticano II abriram espaço para novas perspectivas com relação à sucessão papal. Por outro lado, o conservadorismo – característica comum dos antecessores de Bento XVI – é um aspecto que deve ser mantido no próximo Conclave, apesar de pressões internas e externas por abertura litúrgica e doutrinária. Por certo, os 115 cardeais com direito a voto tomarão este e outros aspectos, como a idade limite – que é de 80 anos –, histórico eclesiástico e intelectual como base para a eleição do novo papa, após o anúncio da renúncia de Bento XVI, marcada para o próximo dia 28 de fevereiro. É um fato novo para a cúria romana.
Possibilidades reais
Não obstante o cardeal italiano Ângelo Scola, 72, reúna características essenciais para assumir o comando mundial da Igreja Católica, há possibilidades reais de que o próximo papa poderá ser um brasileiro. Dos vinte principais candidatos em 2005, metade já ultrapassou a idade limite para participação na eleição, dentre os quais dois africanos: os cardeais Francis Arinze, 81, e Bernardin Gantin, 91, afastando a possibilidade de um africano ser eleito papa.
Apesar de desfavorável ao Brasil, a distribuição de cardeais por país e continente – dos 117 cardeais com direito a voto 63 são europeus, dos quais 23 italianos – poderá sofrer uma alteração com a entrada do arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, elevando o número de cardeais brasileiros com direito a voto para seis, ultrapassando a Índia – com cinco cardeais – e se igualando a Espanha e a Alemanha - o último sendo o país de origem do atual papa Bento XVI, eleito com a mesma quantidade de cardeais do Brasil.
Levando em conta o número de representantes latino-americanos, africanos, asiáticos e da Oceania – que somam trinta e sete cardeais -, a disputa com os representantes europeus e norte-americanos possui certo equilíbrio. Poderá ser um fator de vantagem aos postulantes brasileiros. Dos cinco cardeais – representantes do Brasil, dom João Braz de Aviz, 66, é um dos mais cotados para assumir o cargo. Dom Cláudio Hummes, 78, é quem possuiria as melhores condições, não fosse a renuncia, em 2010, ao cargo de prefeito da Congregação para o Clero, mesmo cargo ocupado por Joseph Ratzinger antes de sua eleição a papa.
Crescimento evangélico no Brasil poderá influenciar o próximo Conclave
O crescimento do movimento evangélico brasileiro poderá influenciar os rumos do próximo Conclave. Na eleição de 2005 o tema serviu de base para especulações jornalísticas e por parte de autoridades católicas, motivando a indicação, um ano depois, de dom Cláudio Hummes ao cargo de prefeito da Congregação para o Clero. A abertura de pelo menos 70 processos de beatificação ou canonização – atualmente existem 2 “santos” e quatorze beatos brasileiros – também é vista como uma tentativa de frear o avanço dos evangélicos. Mesmo que não eleito um cardeal brasileiro, também há a possibilidade de que o novo papa poderá surgir da América do Norte – os EUA é o segundo país com maior número de cardeais no Vaticano e o Canadá possui o nome do cardeal Marc Oullet, 68, atual prefeito da Congregação para os Bispos.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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O duelo neopentecostal entre a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Mundial do Poder de Deus está apresentando um novo capítulo.
Depois das revelações de desavenças entre o bispo Edir Macedo e o apóstolo Valdemiro Santiago, ex-bispo da IURD, e a divulgação de vídeos com troca de acusações mútuas, o novo episódio envolve figuras menores nas hierarquias, mas com grande apelo popular.
Segundo o pesquisador e colunista do Gospel+, Johnny Bernardo, especializado no estudo das religiões, os bispos Guaracy e Josivaldo Batista são os “novos ‘ícones’ do neopentecostalismo” no Brasil.
Guaracy, segundo Bernardo, vem sendo alçado à condição de “nova figura midiática” da Igreja Universal, através de uma estratégia muito usada pela concorrente Mundial.
- Creditando às campanhas “milagrosas” uma das principais causas do crescimento da IMPD, a IURD passou a investir em uma nova figura midiática, mais próxima aos anseios das pessoas que procuram suas reuniões. Trazido em 2009 da Bahia para São Paulo, o bispo Guaracy Santos é hoje uma das opções de “poder” da Igreja Universal. Gravado no Pelourinho, o programa “Duelo dos Deuses” passou a ser a marca distintiva do novo “ícone” da IURD, e que passou a rivalizar com os bispos da Mundial – contextualiza o pesquisador.
Por outro lado, o contra-ataque da igreja liderada por Valdemiro Santiago é baseado no bispo Josivaldo Batista, explica Johnny Bernardo: “Braço direito do fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, o bispo Josivaldo Batista é uma voz em ascensão dentro da denominação. Cada vez mais presente na vida orgânica da IMPD, aos poucos desenvolve características próprias”
- Tomando como exemplo a Igreja Pentecostal Deus é Amor, o bispo Josivaldo Batista tem promovido um verdadeiro show de testemunhos de pessoas que afirmam terem sido curadas de paralisias, câncer, dores nas costas. Muletas e cadeiras de rodas são exibidas como provas da “operação” divina nas reuniões da sede mundial. Expressões típicas do fundador da IPDA, David Miranda, como “quem te curou?” e “glorifica igreja”, são usadas com frequência por Josivaldo Batista – revela o pesquisador, que afirma que Batista já tem seu grupo próprio de seguidores dentro da denominação.
Confira a íntegra do artigo “Bispos Guaracy e Josivaldo Batista: os novos ‘ícones’ do neopentecostalismo brasileiro”, de Johnny Bernardo, neste link.
por Tiago Chagas
do Gospel+
O aparente sucesso do Neopentecostalismo está sendo acompanhado por grupos religiosos que buscam uma melhor colocação no mercado religioso. Recursos audiovisuais, campanhas de cura e libertação, palavras de poder e marketing pessoal são mecanismos amplamente utilizados por líderes neopentecostais. Da experiência surgiu uma fórmula, um mecanismo, adaptável por qualquer organização religiosa.
Mesmo diante de um crescimento considerável nos últimos anos, a Renovação Católica Carismática (RCC) aos poucos parece ceder à fórmula neopentecostal. O surgimento de padres jovens e midiáticos, o uso de espaços não tradicionais – como a capela inaugurada pelo Pe. Marcelo Rossi, em Santo Amaro –, e a criação de uma liturgia participativa são evidências de que o movimento está se reconfigurando.
Surgida de uma experiência "pentecostal", na Universidade de Duquesne em Pittsburgh, Pensilvânia, EUA, em 1967, a Renovação Católica Carismática chegou ao Brasil no ano seguinte com a proposta de "reavivamento" do catolicismo nacional e ser uma opção às cruzadas evangelísticas da Segunda Onda Pentecostal Brasileira. No entanto, com o surgimento de igrejas como a Universal do Reino de Deus, no final dos anos 70, a RCC passou a enfrentar uma nova modalidade de "pentecostalismo" centrada em campanhas de cura e libertação e apoiada no uso maciço de meios de comunicação, começando pela extinta TV Tupi.
Apesar da ameaça, a RCC somente despertaria para a nova realidade no começo dos anos 90, quando cria a figura do padre pop star e passa a combater de forma mais dura o movimento neopentecostal. Ao mesmo tempo, investe em programas televisivos e autoriza a realização de missas de cura e libertação, como as conduzidas pelos padres Vanderlei Nunes (da Igreja Nossa Senhora das Graças, de Santo André, São Paulo) e Jader Pereira (do Santuário do Bom Jesus, na Mooca, também São Paulo).
Do Neopentecostalismo também seria adotada a doutrina da Maldição Hereditária. De acordo com MARIANO (1999) e depois SIEPIERSKI (2001), a MH teria sido usada pela primeira vez no IX Cenáculo de Maria da RCC de São Sebastião – SP, em que uma pregadora, vinda da diocese de Lorena (mesma diocese da Canção Nova) discursou: "Vamos orar para expulsar o espírito da pobreza, o espírito de Satanás, para tirar a maldição que colocaram na sua vida. Vamos todos orar: eu renuncio a toda depressão, a toda opressão maligna, vamos orar em línguas, eu rejeito toda miséria, eu rejeito toda maldição hereditária, toda feitiçaria (...)" (ALVES, 2005)
A MH também é mencionada, com certa frequência, em discursos do Pe. Marcelo Rossi e consta no livro do também carismático, Pe. Jonas Abib (ABIB, 2005: 20). Juntamente com a MH, também encontramos claras referências à Teologia da Prosperidade e da Saúde. Em um testemunho dado por uma fiel no IX Cenáculo de Maria, são perceptíveis às semelhanças com o Neopentecostalismo: "O capeta tem tirado a saúde dos servos do Senhor; o demônio tem prejudicado a situação financeira dos servos do Senhor, nós (aponta para o marido) não tínhamos dinheiro nem para pagar o ônibus do nosso filho. Eu tenho que dizer "eu quero esse carro" e confiar no Senhor" (ALVES, 2005).
Adaptações
Outras adaptações – ou semelhanças – são perceptíveis em pelo menos duas outras organizações religiosas: A Igreja Templária de Cristo na Terra e a Catedral Mundial dos Orixás. Na primeira, fundada pelo pernambucano Walter Pereira da Silva, em 2011, e que tem sua base na Rua Leais Paulistanos, 643, no Ipiranga, São Paulo, nota-se um sincretismo de crenças que envolvem elementos do catolicismo popular, sociedades secretas, religiões orientais e do neopentecostalismo.
Nas reuniões da Igreja Templária, além da presença de símbolos de sociedades secretas e imagens de "santos" católicos, louvores de autoria evangélica e campanhas inspiradas no Neopentecostalismo imergem multidões em transes "espirituais". Na campanha do Vale de Sal, adeptos enfileirados passam por cima de toneladas de sal enquanto recebem orações e passes do "apóstolo", muitos dos quais acabam "exorcizados". À semelhança das igrejas neopentecostais, a ITCT também mantém programas radiofônicos e televisivos onde conclama fieis a aderirem ao "Carnê da Gratidão".
Walter Sandro, que antes de iniciar sua empreitada de fé foi vendedor de seguros, radialista e palestrante motivacional, tem sido alvo de denúncias de estelionato por vítimas do chamado "Clube de Investimento". Mesmo em meio a várias denúncias e processos judiciais, o líder religioso continua oferecendo assistência e promovendo campanhas na sede mundial da Igreja Templária de Cristo na Terra e em outras dez filiais da denominação.
A Catedral Mundial dos Orixás Palácio de Ogum ou Centro Espírita Ylê Axé, com sede na Travessa Damião de Aguiar, nº 49, Maria das Graças, zona norte do Rio de Janeiro, é, certamente, a de maior interesse e curiosidade por misturar elementos do candomblé com características típicas do Neopentecostalismo, como palavras de poder e o uso de técnicas de Marketing – como propagandas em outdoors, onde expressões como "Pare de sofrer Agora" demonstra inspiração no Neopentecostalismo.
Recentemente operando a partir de uma filial na vila Formosa, São Paulo, a CMOPO vem ampliando sua presença na mídia. Na rádio Metropolitana AM e TV NGT, são veiculados depoimentos (escute um dos vários aqui) de "cura" e utilizadas frases típicas de pastores neopentecostais, como "através de sua fé", "auxílio espiritual", "romper todos os obstáculos", "não se entregar", "equipe de fé" etc. Ao mesmo tempo, insere os adeptos no submundo dos orixás africanos, com consultas de tarô e de búzios.
Assim como o fundador da Igreja Templária, o organizador da Catedral Mundial dos Orixás, Donizete Souza Braga – mais conhecido como Geremias de Ogum - também teve sua passagem pela justiça. Acusado de falsidade ideológica, foi preso em flagrante em 13/07/2005. Segundo a Conjur, o investigado teria feito se passar por padre em São Paulo e pastor em Santa Catarina, além de aplicar golpes em agências bancárias do Rio de Janeiro. Um ano depois, segundo o Espaço Vital, deixou a cadeia após liberação de um habeas-corpus.
Bibliografia - ABIB, Pe. Jonas. Reinflama o Carisma; São Paulo: Loyola; Cachoeira Paulista: Editora Canção Nova; 2004; 14ª ed;
- ALVES, Sônia Cantão; Testemunho dado no IX Cenáculo de Maria da RCC de São Sebastião, SP em 09/10/2005;
- MARIANO, Ricardo. Neopentecostalismo; sociologia do novo pentecostalismo no Brasil; São Paulo: Loyola; 1999;
- SIEPIERSKI, Carlos Tadeu; "De bem com a vida": O sagrado num mundo em transformação; Tese apresentada ao Departamento de Antropologia Social da FFLCH ; São Paulo; 2001.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Inspirado em movimentos de cura divina dos EUA, o neopentecostalismo que aqui se desenvolve surge da observância de aspectos locais, como a crendice popular e a baixa renda da maior parte da população brasileira. Neste quesito, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) destaca-se como um dos principais exemplos de adaptação religiosa. Leonildo Silveira Campos (1999) destaca que “o ponto de partida da IURD é o pentecostalismo de alguns televangelistas norte-americanos, porém a sua flexibilidade é própria de uma entidade que se posiciona bem num ambiente pluralista e concorrencial. A sua identidade é construída por meio de referências aos concorrentes, com os quais ela se envolve em renhidas lutas simbólicas”.
A guerra entre as forças do bem e do mal – adaptada pelo neopentecostalismo a partir do pentecostalismo – ganha nova dimensão com a Igreja Universal. Na verdade, como explica Campos, “a IURD oferece produtos simbólicos, dissimulando a ideia de ruptura, trocando-a por uma aparente continuidade com as culturas locais”. Em outras palavras, a igreja fundada por Edir Macedo aproveita aspectos dos concorrentes (católicos, afro-brasileiros e kardecistas) para desenvolver uma característica própria, voltada ao consumo. Assim, a cruz, as sessões de descarrego, as fitinhas azuis e demais apetrechos utilizados pela igreja em sua “guerra” contra o mal são adaptações criadas com o intuito de atrair adeptos das religiões concorrentes. Ao mesmo tempo, tenciona facilitar o acesso à nova fé com elementos do cotidiano do adepto.
As adaptações – ou “remasterizações” – feitas pela IURD também ocorrem nas demais igrejas neopentecostais do Brasil, com pouquíssimas alterações. Tais características e outras mais mostram que o neopentecostalismo disseminado a partir da IURD assume aspectos locais, nacionais, da situação financeira de cada adepto. O termo neopentecostal – frequentemente usado em referência a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer em Cristo, por exemplo – passou a ser utilizado como forma de distinção entre o pentecostalismo clássico do movimento que começa a se desenvolver a partir de fins da década de 70, e que é identificado por Paul Freston como a Terceira Onda Pentecostal Brasileira. Tão logo se percebeu, no entanto, que há uma imensa distância entre o neopentecostalismo aqui disseminado.
Apesar da existência de elementos comuns ao Neopentecostalismo, como a cura divina, o exorcismo, a Teologia da Prosperidade e o uso maciço de recursos audiovisuais, há inúmeras diferenças que separam as várias igrejas neopentecostais, notadamente entre àquelas situadas no eixo São Paulo – Rio. As diferenças locais, de formação religiosa ou acadêmica, explicam em parte as diferenças. A primeira das várias rupturas que ocorreriam no cenário neopentecostal brasileiro se deu em 1980 quando o missionário R.R.Soares – até então braço direito de Edir Macedo – funda a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD). A prepotência e o espírito mercantilista de Edir Macedo foram alguns dos motivos que levaram R.R.Soares a se desligar.
Igrejas clones da Universal
Começando pela IIGD, deve-se ressaltar também o aparecimento do que Marion Aubree (pesquisadora francesa) chamou de “igrejas clones da Universal”. Isto é, ao longo dos 35 anos de sua história, a IURD vem enfrentando o ataque externo oriundo de novos movimentos neopentecostais que a imitam. Vale ressaltar, novamente, que às semelhanças se resumem aos aspectos básicos do Neopentecostalismo, descritos anteriormente. Os novos movimentos surgidos a partir da IURD se definem por experiências próprias, por diferenças que vão desde a liturgia até o público alvo. As diferenças são perceptíveis quando comparamos, por exemplo, a IIGD com a IURD.
Segundo R.R.Soares, a Igreja da Graça não tem bispos nem realiza campanhas em Israel. A Universal, por sua vez, não tem um missionário como presidente, nem pede às pessoas que se inscrevam como patrocinadoras para manter a veiculação de cultos de evangelização pela TV. A IIGD apresenta-se mais flexível com relação ao trato com as demais igrejas evangélicas do Brasil. Nas publicações da Igreja da Graça, como na revista Show da Fé, são comuns referências a trabalhos da AD. R.R.Soares também já teve passagem pela sede da AD Ministério Belém, onde ministrou a um colegiado de obreiros. Por outro lado, há de se ressaltar que a Igreja da Graça é a responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin, autor com ampla rejeição por parte de líderes e pesquisadores brasileiros, como Paulo Romeiro.
As diferenças entre a Igreja Universal com as demais denominações “neopentecostais” aumenta à medida que a comparamos com igrejas como a Renascer em Cristo. A origem pentecostal do casal Hernandes – eram membros da Igreja Pentecostal da Bíblia – de certa forma explica a maneira eloquente como conduzem suas reuniões. As adaptações, comuns na IURD, também ocorrem na RC, mas com diferenças que nos remetem às igrejas batistas. Há, na RC, uma tentativa de tornar suas reuniões mais atraentes ao público jovem. Fundador da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, o bispo Robson Rodovalho teve sua primeira experiência na Igreja Presbiteriana do Brasil, aos 15 anos. Além da maneira despojada como conduz sua denominação, Rodovalho é autor de um livro sobre Física Quântica e pretende criar um instituto para explorar temas ligados à ciência e a espiritualidade. Apesar de criacionista, rejeita a noção de que o universo foi criado há seis mil anos, em seis dias de 24 horas, segundo revelou ao jornalista Márcio Campos, da Gazeta do Povo.
A Renascer em Cristo e a Sara Nossa Terra são exemplos de igrejas cujas características distanciam-se de denominações mais próximas do chamado Movimento Palavra da Fé. No entanto, mesmo entre as igrejas neopentecostais historicamente ligadas ao MPF há diferenças significativas. A cura divina, característica comum às igrejas neopentecostais, é vista de forma diferente por frequentadores da Igreja da Graça e Mundial do Poder de Deus. Mariano (1995) declara que é “muito comum nos cultos da Igreja Internacional da Graça R.R. Soares pedir que os fieis coloquem as mãos em suas cabeças e determinem a cura divina. Com frequência, os testemunhos giram em torno do desaparecimento da dor de cabeça e do sumiço de caroços no peito, no estomago e em outras partes do corpo. Alguns ex-membros da IIGD e que hoje frequentam a IMPD são unânimes em dizer que lá, na Internacional, só viam sumiços de caroços, mas que na Mundial eles veem verdadeiros milagres, curas sobrenaturais”.
O surpreendente crescimento da Igreja Mundial do Poder de Deus – e que já foi palco de pelo menos quatro cisões que resultaram no surgimento de quatro diferentes igrejas, cada qual defendendo uma visão específica do Evangelho, sendo a Igreja Mundial Renovada a mais recente – tem sido motivo de preocupação e “guerra santa” por parte da Igreja Universal do Reino de Deus. Embora mantendo aspectos da igreja – mãe, o apóstolo Valdomiro Santiago criou uma marca ou estilo próprio de arregimentar adeptos. Com seu jeito matuto e linguagem carregada de expressões populares, Santiago conseguiu criar um canal de comunicação com as xclasses menos favorecidas da sociedade. A cura divina é um dos atrativos e porta de entrada para centenas de pessoas vítimas da falta de recursos assistenciais. Segundo Campos (1999) os “muito pobres são mais facilmente atingidos pela pregação dos milagres e dos prodígios. Nesse sentido, a Igreja Mundial, a Igreja do Evangelho Quadrangular ou mesmo a Deus é Amor levam vantagem nessas camadas sociais mais pobres onde a IURD perde a competitividade”.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Diferentes grupos dentro das Nações Unidas (ONU) tem oferecido apoio aos defensores do homossexualismo no Brasil para tornar a “homofobia” crime no país. O principal argumento é que os “preconceitos” são um obstáculo para a prevenção da AIDS.
Em uma carta, os grupos de direitos gays se queixam de que o país tem uma "epidemia" AIDS que afeta 10 % da população gay. No Brasil, estima-se que os homossexuais representam apenas 0,6 % da população em geral. De acordo com o World Net Daily, a carta acusa que a taxa de AIDS entre os homossexuais seja consequência da "alta da violência contra eles".
Os homossexuais indicam como exemplo de violência o assassinato de 278 homossexuais registrado em 2011 no Brasil. Porém, críticos apontam que 50.000 brasileiros são assassinados todos os anos, revelando que os gays são cerca de 0,005 por cento das vítimas de homicídio anuais, mais baixos do que sua representação na população em geral.
Eles argumentam também que uma recente pesquisa que identificou que a população brasileira reconhece a existência de forte preconceito contra lésbicas (92%), gays (92%), bissexuais (90%), travestis (93%) e transexuais (91%).
O ativista cristão Julio Severo contesta tal pesquisa, denunciando que os entrevistados foram requisitados para comentar declarações como “Deus fez o homem e a mulher com sexos diferentes para que cumpram seu papel e tenham filhos”, sendo considerado homofóbicos os que concordaram parcial ou completamente com essa afirmativa.
Para os idealizadores da pesquisa isso revelou que 92% dos brasileiros poderiam ser rotulados como homofóbicos comprovando um suposto preconceito que indica que a maioria dos cidadãos brasileiros precisariam ser reeducados.
Para o pesquisador religioso Johnny Bernardo, não há nada que comprove que o crescimento do índice de gays contaminados com o vírus da AIDS seja uma consequência do "aumento da violência contra eles". "Na verdade, o foco do problema está na falta de prevenção, de medidas que evitem o contágio".
De acordo com o pesquisador, há um esforço internacional no sentido de coibir o preconceito contra homossexuais e que conta com o apoio de governos, instituições e personalidades simpáticas ao movimento. No Brasil, há uma tentativa de associação da PL 122/06 com a Lei 7.716 de 5/1/1989 que define os crimes resultantes de preconceito de cor ou de raça.
Para Johnny, associar o projeto de lei 122/06 com os crimes resultantes de preconceito definidos na Constituição de 1989 é um erro gravíssimo, porque ocorrem em âmbitos diferentes.
Ele ainda cita como exemplo, “um negro não escolhe vir ao mundo com a cor de pele negra. O mesmo não se pode dizer dos homossexuais - eles são o que são por uma questão de escolha, e não propriamente por causa da genética”.
Johnny afirma que o homossexualismo é uma opção de vida e, como tal, passível de questionamento. “Se um individuo pode ser questionado por sua opção partidária/ideológica, por que não um homossexual? É evidente que todo tipo de discriminação e abuso físico deve ser punido pelo Estado Democrático. No entanto, com relação ao homossexualismo, há um debate de ideias, de opiniões relacionadas a postura social de tal grupo”.
Não se pode impedir que um líder religioso ou pai de família expresse sua opinião. A tentativa, no caso da PL 122/06, é a de impedir toda e qualquer manifestação contrária ao homossexualismo, e não, simplesmente, de condutas discriminatórias - como ofensas ou bullying.
por Luana Santiago, do CP
Voltemos à década de 60. Enquanto católicos de Pittsburgh experimentam o que chamam de “renovação espiritual”, quatro meninos de Liverpool (Inglaterra) sacodem o mundo com os reis do iê-iê-iê. Ordenado padre aos 25 anos de idade, em 1966, nos EUA, José Fernandes de Oliveira – mais conhecido como Padre Zezinho -, dava seus primeiros passos na arte da música, da literatura, do teatro e, mais tarde, em 1969, dos meios de comunicação. Foi com a música, no entanto, que o recém – ordenado padre seria conhecido como um dos “maiores” fenômenos da música cristã. De volta ao Brasil, o Padre Zezinho causou polêmica e, ao mesmo tempo, admiração, ao adicionar às missas do Santuário São Judas Tadeu, na Zona Sul de São Paulo, instrumentos popularizados pelos Beatles, como guitarras e baterias.
Fã secreto de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, o Padre Zezinho foi chamado desde “estrela” até “achincalhador da fé” por introduzir ritmos até então demonizados pelo Vaticano. Sua opção por uma liturgia mais aberta, no entanto, ganharia fôlego com a chegada do Movimento Carismático ao Brasil, no começo da década de 70. O crescimento das igrejas pentecostais autônomas - com forte presença nas camadas menos abastadas da sociedade - e das cruzadas promovidas por pastores e missionários americanos – caracterizadas por campanhas de cura e libertação -, foi um dos motivadores do surgimento de movimentos como o liderado pelo Padre Zezinho e da vinda da Renovação Católica Carismática ao Brasil. Começando por Campinas, a RCC foi levada para diversas cidades e regiões do Brasil.
Organizados por padres jesuítas, encontros como “Experiências no Espírito Santo” e “Experiência de Oração” conduziram centenas de católicos de volta a vida devocional. Apesar de praticamente na penumbra entre as décadas de 70 e 80 (André Ricardo de Souza, Religião & Sociedade, julho de 2007), a realização - primeiro em 1973 e depois em 74 - de dois grandes congressos e a adesão de leigos e figuras conhecidas do clérigo brasileiro, como o Monsenhor Jonas Abib, serviram de combustão ao crescimento experimentado nas décadas seguintes. O lançamento do livro “Sereis Batizados no Espírito Santo”, em 1972, do padre Haroldo Rahn que, juntamente com Bernard Shuster e o Dom Cipriano Chagas, foram os pioneiros e compunham a liderança nacional da RCC, deu, também, grande impulso aos carismáticos.
Fundada pelo padre salesiano Jonas Abib, em 1978, a Comunidade Canção Nova – com sede na cidade de Cachoeira Paulista, interior de São Paulo e que é composta por emissora de rádio, televisão, um centro de evangelização com capacidade para 70 mil pessoas, além de capelas, restaurantes, alojamentos etc. - serviu de base para o surgimento de outras comunidades e associações como a Associação do Senhor Jesus (ASJ), dirigida e fundada pelo padre Eduardo Dougherty na década de 80. É a partir daí que a RCC começa chamar a atenção da mídia com o surgimento de comunidades de vida, rádios, TVs e revistas. Zé Pretinho, Irmã Floriza e Tia Laura de Piquete (São Paulo) surgem nessa época e arrebanham mais adeptos (Portal Carismático - consulta feita em 20/10/2012, às 16hs).
Os padres cantores
É a partir da década de 90 que a RCC ganha, de fato, visibilidade com o desenvolvimento de técnicas de marketing e a projeção de padres cantores na mídia. “A figura do padre de meia idade na sacristia e atrás do altar é substituída no imaginário social por homens jovens e sorridentes, com grande poder de comunicação e utilizadores da música e da mídia como os próprios veículos de transmissão da mensagem religiosa. Os programas televisivos de domingo passam a abrir espaço para mais um artista: o padre Marcelo Rossi, jovem, de boa aparência e atlético, figura que contrasta radicalmente da imagem de sacerdote presente no imaginário dos brasileiros”, lembra a pesquisadora Sílvia Regina Alves Fernandez, do Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais, órgão consultivo ligado à CNBB.
Além de Marcelo Rossi, nos anos seguintes outros padres – popstars como o surfista e mais novo diocesano até então ordenado no Brasil, Padre Zeca que, em 2007 deixou o sacerdócio e quatro anos depois casou com uma americana, Reginaldo Manzotti – conhecido como padre samba-rock e que realiza o Evangeliza Show -, Fábio de Melo, Juarez de Castro, Adriano Zandoná e um dos mais exóticos, o padre Alexandro Campos – que combina em seus shows missa mesclada com sons de viola e berrante -, conduzem centenas de fieis a estádios, ginásios, pistas de corridas e santuários por todo o país. Também estão presentes na mídia, dividindo programas televisivos com personalidades da sociedade, cantores (as) e bandas seculares. “Outro fator importante para o sucesso desses padres é a aproximação com as pessoas nos ritos religiosos e fora deles”, acrescenta a pesquisadora Sílvia Regina.
É com o ex-professor de educação física e membro de uma família de xclasse média de São Paulo, no entanto, que o Catolicismo Romano reconquistaria dezenas de adeptos. Ordenado sacerdote em 1/12/1994, Marcelo Mendonça Rossi ficou conhecido no final da década de 90 por suas adaptações e empréstimos de liturgias e canções evangélicas, como “Anjos de Deus”. Participações em filmes, indicação ao Grammy 2002 e colaborações com diversos meios de comunicação descrevem sua trajetória como sacerdote e pop star. A inauguração de um mega – santuário em Santo Amaro, nesta sexta-feira (2), com capacidade para abrigar 25 mil pessoas, mostra a força do movimento carismático e, ao mesmo tempo, a tentativa de superação das concorrentes neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus e a Igreja Mundial do Poder de Deus que também possuem mega – templos na região.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Todos os dias centenas de pessoas saem às ruas do Brasil para testemunhar sua fé em Deus. Com sorriso no rosto, boa dicção e um farto material informativo, abordam quem passa pela rua para oferecer uma mensagem bíblica. Parecem tranquilas, felizes. Não se sentem constrangidas diante das adversidades. Acreditam que seu trabalho lhes renderá vida eterna. Quem as ouve testemunhar percebe sua capacidade de explanação, sua convicção doutrinária. Eles fazem parte de um exército de mais de oito milhões de testemunhas que seguem fielmente – e sem questionar – as diretrizes do “Escravo Fiel e Discreto” - termo que se atribuí à Torre de Vigia, Qg das Testemunhas de Jeová com sede no Brooklin, Nova York, EUA.
Por trás da aparente tranquilidade de uma testemunha de Jeová existe algo desconhecido dos iníquos (termo utilizado pela Torre de Vigia para descrever quem está fora da Organização das Testemunhas de Jeová). Quem as recepciona em casa ou em uma conversa ocasional na rua ou em uma praça, não sabe que elas são programadas para testemunhar. Há um rigoroso processo de preparo de uma testemunha de Jeová que envolve encenação teatral nos Salões do Reino e cursos de preparação para o ministério de campo. Um verdadeiro preparo psicológico acompanha suas reuniões.
O Manual da Escola do Ministério Teocrático é uma prova de que Sociedade Torre de Vigia recorre a técnicas de controle psicológico na programação dos adeptos e no preparo destes para que exerçam o ministério de campo. A maneira como nos dirigimos às pessoas, a gramática, os gestos, e a maneira como impomos nossa voz é, para eles, de fundamental importância no trabalho de convencimento. A testemunha é orientada a focar a mente do ouvinte, mais do que o coração.
O instrutor hábil das boas novas pode transmitir conhecimento à mente dos ouvintes. Em pouco tempo, o estudante ou o ouvinte é capaz de repetir e explicar ele mesmo o ensino (...) a mente precisa absorver e assimilar informações. Ela é a sede do intelecto, o centro de processamento do conhecimento. Ela reúne informações, e, pelo processo do raciocínio e da lógica, chega a certas conclusões (MEMT, 1992, pp.73,74).
O manual também instrui como a testemunha deve implantar uma ideia na mente do ouvinte. “O tipo sumário da repetição é especialmente útil no caso dos discursos que envolvem o raciocínio e a lógica, e o tempo decorrido entre a consideração e a breve recapitulação ajuda a incutir as ideias mais a fundo na mente dos ouvintes” (p. 129).
Além do MEMT, outra base de estudos e manipulação psicológica é o livro Raciocínio à Base das Escrituras. Com base no modelo pergunta – resposta, o RBE oferece aos estudantes das Escrituras as mais diferentes respostas às dúvidas, questionamentos e oposições surgidas no trabalho de campo. Também são oferecidas sugestões de temas para contatos iniciais, como questões ligadas ao crime, segurança, emprego, moradia, família e, obviamente, temas associados à Bíblia e ao fim do mundo.
É uma satisfação encontrá-lo (a) em casa. Estou falando com os meus vizinhos sobre um ponto da Bíblia (ou, das Escrituras Sagradas) que é animador... Já se perguntou...? (faça uma pergunta que o leve ao tópico que está considerando) (RBE, 1989, p. 10)
Muitas pessoas estão preocupadas com o Armagedom. Ouviram líderes mundiais usar esse termo com referência a uma guerra nuclear total. Que acha que significara o Armagedom para a humanidade? Realmente, o nome Armagedom é tirado da Bíblia, e significa algo bem diferente do sentido que comumente se dá à palavra. (p. 10)
Um movimento com fortes tendências destrutivas
A organização fundada por Charles Taze Russell (1875) caracteriza-se pela existência de fortes tendências destrutivas. A programação das testemunhas inclui desde submissão às autoridades da STV– à qual não economizam elogios – até restrições como não participação em práticas esportivas, desincentivo a educação superior – considerada pela STV como “perigosa” -, proibição de contato com ex-adeptos e familiares que não façam parte da Organização, proibição de que os adeptos frequentem ou celebrem festas de aniversário, páscoa e natal.
A STV também restringe o acesso a livros como Crise de Consciência, do ex-membro da cúpula das Testemunhas de Jeová, Raymund Franz. Sites e fóruns de discussão mantidos por ex-adeptos também são vetados pela Organização. Ao mesmo tempo, incentivam as testemunhas a dedicarem o máximo de tempo possível na divulgação das doutrinas e materiais desenvolvidos pelo Escravo Fiel e Discreto, além de fazerem uso de textos apocalípticos como forma de alienação e controle psicológico – estratégia seguida por outros grupos destrutivos, como o Ramo Davidiano, Templo dos Povos, Ordem do Templo Solar etc. e que ocasionaram a destruição de centenas de vidas e famílias por todo o mundo.
Atualmente, no Brasil, a Igreja Cristã Maranata, a Universal do Reino de Deus, a Pentecostal Deus é Amor, a Igreja Sinos de Belém Missão das Primícias e a Comunidade Figueira (de Trigueirinho) desenvolvem algo semelhante ao seguido pelas seitas destrutivas dos EUA e da Europa – sendo, portanto, fortes candidatas a movimentos destrutivos. Na Igreja Pentecostal Deus é Amor, por exemplo, os membros são submetidos a regras de comportamento semelhantes as que são impostas pela STV às testemunhas, perseguição – e até mesmo processos judiciais – contra ex-membros.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Enquanto denominações como a Universal do Reino de Deus e a Mundial do Poder de Deus crescem em ritmo acelerado, a Igreja Pentecostal Deus é Amor possui algo em torno de 900.000 membros, segundo último levantamento feito pelo IBGE, em 2010. O baixo crescimento passou a ser visto com preocupação por parte da liderança da IPDA, por motivos óbvios: apesar de possuir mais tempo de atividade no Brasil e no mundo – completou 50 anos no último dia 3 de junho – e ter experimentado um significativo crescimento entre as décadas de 80 e 90, a IPDA tem encontrado dificuldade para competir com outras denominações com menos tempo de atividade, mas que ocupam cada vez mais espaço nas capitais e grandes cidades do Brasil.
Fora a sede mundial e umas poucas sedes regionais, grande parte das igrejas da IPDA são compostas por pequenos salões alugados e com não mais de que 50 membros, o que dificulta a competição com outras denominações com maior presença nas principais vias como a IURD e a IMPD, além de outras denominações pentecostais com grande presença nos bairros, como as Assembleias de Deus. Há outras razões do baixo crescimento experimentado nos últimos anos, como a rigidez doutrinária e de usos e costumes, escândalos envolvendo lideres máximos da Igreja, campanhas de cura e libertação adaptadas a partir da IPDA pelas igrejas neopentecostais e o não investimento em meios de comunicação de massa, como a televisão.
Com a liberalização de costumes e o investimento na comunicação direta com os telespectadores, as igrejas neopentecostais criaram um mecanismo "eficaz" de captação de contribuintes e avanço em áreas dominadas por igrejas pentecostais e históricas. O uso de mecanismos comuns à Segunda Onda Pentecostal Brasileira (Paul Freston, 1993), como às campanhas de cura e libertação permitiu às igrejas neopentecostais garantias de um crescimento contínuo. Seduzidas pelas promessas de prosperidade e cura "divina" e a não exigência de usos e costumes, os ouvintes encontraram em denominações como a Mundial do Poder de Deus a solução para seus problemas.
Campanha publicitária
Penalizada pelo avanço das igrejas neopentecostais – baseado nos programas televisivos – e sem poder abrir mão de sua história e costumes, recentemente a Igreja Pentecostal Deus é Amor passou a desenvolver uma campanha publicitária que envolve anúncios em jornais como o Metro, panfletos e a associação da imagem do fundador, David Miranda, à denominação. No jornal e nas fachadas das filiais da IPDA, uma imagem do fundador com sua coleção particular de cadeiras de rodas e muletas – frutos de suas campanhas "milagrosas" na sede mundial e em cruzadas pelo mundo – é exibida na tentativa de atrair mais seguidores. Associada à imagem de Miranda, no Metro uma frase chama a atenção: "Estas são algumas das milhares de muletas, cadeiras de rodas e aparelhos ortopédicos de pessoas que alcançaram o milagre de Jesus, na Igreja Pentecostal Deus é Amor."
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Os recentes protestos no mundo islâmico e os discursos de conciliação do presidente dos EUA, Barack Obama, nos quais defende a honestidade e o pacifismo da maior parte do mundo islâmico – a exemplo dos sunitas, que representam hoje algo em torno de 90% dos mais de 1,5 bilhão de seguidores, e que são considerados “moderados” – demonstra que o islamismo está cumprindo seu objetivo, que é o domínio do Ocidente. É uma guerra de ideias, de palavras, mais do que de armas.
O islamismo cresce de maneira silenciosa em toda a Europa, EUA e também no Brasil. Enquanto radicais islâmicos, ligados a segunda maior divisão do islamismo, conhecidos como xiitas, disseminam “terror” pelo mundo, outro grupo de muçulmanos avança com mesquitas gigantescas por todos os EUA, chegando às proximidades do Ground Zero (Marco Zero, em português) – local onde, em setembro de 2001, se deu o maior ataque “terrorista” conduzido por militantes da Al-Qaeda.
Não apenas nos EUA, mas em todo o continente americano o islamismo cresce de maneira significativa. Na Argentina, onde há entre 300 e 400 mil muçulmanos, funciona o maior centro islâmico da América Latina, o Centro Cultural Islâmico Rei Fahd – nome atribuído em homenagem ao Rei Fahd, governante da Arábia Saudita entre 1982 e 2005 e que se notabilizou pelos investimentos em reformas e construção de mais de 200 centros islâmicos e 1.500 mesquitas em todo o mundo. No Brasil, o número de muçulmanos já está na casa dos um milhão de seguidores, tendo o Estado de São Paulo como sua principal base de atuação, além de células (terroristas?) que supostamente atuam a partir de Foz do Iguaçu.
Uma religião pacífica?
A grande questão em torno do islamismo – e que tem sido foco de acirrados debates em igrejas e universidades pelo mundo – é se a religião fundada por Maomé pode ser considerada pacifica? Há quem acredite que sim, apesar dos constantes atentados promovidos por radicais islâmicos no Ocidente e também em países de maioria islâmica. Por questões estratégicas, o governo dos EUA tem investido na ideia de que o islamismo é uma religião pacífica, numa tentativa de isolamento de grupos radicais, como a Al-Qaeda, o Hesbollah e a Irmandade Muçulmana.
Apesar da tentativa da Casa Branca, o islamismo tem como base a guerra, a difusão da crença em Alah por meio da força, da imposição. O Alcorão possui diversas referências ao combate aos “infieis”, aos “inimigos” de Allah. Por outro lado, os primeiros anos de existência e expansão do islamismo ocorreram a partir de soldados islâmicos, organizados militarmente. O surgimento de grupos radicais é um fenômeno recente, em parte por culpa das potências ocidentais, como Grã-Bretanha e França, que, entre os séculos XIX e XX, subjugaram e exterminaram centenas de muçulmanos.
Subjugados, lideres islâmicos formaram grupos de oposição aos imperialistas, tornando populares os chamados homens-bomba – houve manifestações terroristas entre os séculos 14 e 16, mas é com a presença de tropas ocidentais em territórios islâmicos que os ataques são intensificados. Em algumas ocasiões, como no caso da expulsão das forças soviéticas do Afeganistão, na década de 80, a Casa Branca financiou e armou um grupo liderado por Bin Laden, que, mais tarde, viria a ser um dos maiores inimigos dos EUA e responsável pelo primeiro grande atentado terrorista em solo americano.
A relação entre a Al-Qaeda e os EUA exemplifica todo um processo histórico de intervenções no mundo árabe, financiamento de grupos rivais, e, ao mesmo tempo, fomentação de divisão dentre os muçulmanos. A estratégia, seguida de perto pela Grã-Bretanha, tem como resultado o crescimento do poderio de fogo dos radicais islâmicos e as consequentes tragédias decorrentes das intervenções. Ao mesmo tempo em que combate "radicais" no Afeganistão – acusados de crimes contra a humanidade -, os EUA mantém relações com ditaduras do Oriente Médio.
Como resultado das políticas dos EUA e seus aliados para o mundo islâmico, um fator aparentemente não previsível vem ocorrendo nos últimos anos: o aumento do poderio e da influência do islamismo em países ocidentais. O islamismo, ao contrário do que alguns analistas americanos poderiam sugerir, conseguiu se reformular e desenvolver uma nova estratégia de crescimento. O radicalismo islâmico, disseminado a partir de países como Irã e Síria, e o número cada vez maior de convertidos ao islamismo estão se tornando potenciais inimigos da Casa Branca, daí a importância – dada pelo governo americano – da disseminação de revoltas, financiamento de facções, e isolamento de grupos radicais - um tiro no próprio pé.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Fundador do grupo religioso "Barca", Luiz Pereira dos Santos, 43, afirma que o mundo acabará nesta sexta-feira, pontualmente às 16h. Segundo o "profeta", às 05h do dia 29 de julho de 2009 um “anjo lhe apareceu, em seu quarto, e lhe deu os detalhes do fim do mundo e de sua chamada”. Deixou seu emprego de zelador e passou a se dedicar à nova fé.
Após conseguir alguns seguidores, o “profeta” estabeleceu sua base no Parque Universitário, zona leste de Teresina. Em uma propriedade, que abriga duas casas e que passou a ser conhecida como “Barca”, vivem 120 pessoas em regime de submissão, tendo sido obrigadas a deixarem seus empregos, bens, estudos e familiares.
O grupo religioso, fundado por Luiz Pereira, possue características típicas de um movimento destrutivo, como isolamento de adeptos, manipulação psicológica e financeira, incentivo de práticas obscenas, e uso de temas apocalípticos como forma de coação e medo. Às semelhanças também podem progredir para algo mais perigoso, como suicídio coletivo.
A programação – termo utilizado por pesquisadores de movimentos destrutivos para descrever o domínio psicológico exercido sobre adeptos – inclui a proibição de que os seguidores tenham acesso a programas televisivos e radiofônicos seculares, dedicação exclusiva aos cultos promovidos pela Barca, e casamento entre crianças e adolescentes.
Investigação
Luiz Pereira dos Santos vem sendo investigado pelo Ministério Público do Estado do Piauí desde o começo de 2012 tendo sido autuado em flagrante no dia 29 de julho por curandeirismo e charlatanismo, mas liberado após pagar fiança de R$ 207. O “profeta” teria sido autuado após denúncia feita por Alda Maria, 44. Segundo o 11º Distrito Policial de Teresina, Alda Maria também teria sido vítima de agressão física.
No mês passado, segundo informações do portal Terra, o “profeta” foi detido pela Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente acusado de proibir as crianças de irem para a escola. Após autorização expedida pela juíza Maria Luíza de Moura, a DPCA removeu hoje (11) as 19 crianças que faziam parte da comunidade, além de encontrar uma quantidade considerável de veneno de rato na casa, segundo o jornal 180graus.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões, seitas e heresias, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Em meio às polêmicas envolvendo a campanha à prefeito de São Paulo, do candidato Celso Russomanno (PRB) e suas ligações políticas com a Igreja Universal do Reino de Deus, o jornalista Johnny Bernardo publicou artigo analisando as ideias do bispo Edir Macedo sobre fé e política, expostas no livro “Plano de Poder – Deus, os Cristãos e a Política”.
De acordo com Bernardo, “o objetivo é claro: A Igreja Universal quer dominar o Brasil”, e para isso, o líder da IURD montou uma estratégia complexa de crescimento e influência na sociedade.
- Para realizar seu intento – de criar uma nação evangélica e “governada” por Deus -, Macedo estabeleceu uma série de estratégias, como eliminação das concorrências, investimento maciço em meios de comunicação, influência da sociedade por meio de campanhas de marketing e defesa de temas polêmicos, a exemplo da legalização do aborto, e a busca do poder pela organização política – afirma o jornalista e pesquisador Johnny Bernardo.
Johnny Bernardo pontua ainda que as estratégias adotadas por Edir Macedo para a implementação do suposto plano de domínio tem semelhanças com iniciativas tomadas em outros países, com resultados negativos: “As estratégias definidas e seguidas por Edir Macedo possuem paralelos com diversos movimentos destrutivos dos EUA e Europa, mas, em especial, com a Igreja da Unificação, fundada em 1954 pelo Rev. Moon (1920–2012). Assim como a IU, a Igreja Universal encara a formação da opinião pública e o recrutamento de seguidores como elementos cruciais para o alcance de seus objetivos”.
Por Tiago Chagas, do Gospel+
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O objetivo é claro: A Igreja Universal quer dominar o Brasil. Pré-definido no livro Plano de Poder, Deus, os cristãos e a política (Edir Macedo com Carlos Oliveira, 2008), o objetivo vem se desenvolvendo ao longo dos anos, e, nas eleições municipais de 2012, pretende se consolidar. Fé e política, no entender de Edir Macedo, são elementos interligados aos quais os crentes devem se engajar.
Para realizar seu intento – de criar uma nação evangélica e “governada” por Deus -, Macedo estabeleceu uma série de estratégias, como eliminação das concorrências, investimento maciço em meios de comunicação, influência da sociedade por meio de campanhas de marketing e defesa de temas polêmicos, a exemplo da legalização do aborto, e a busca do poder pela organização política.
Tomando como base São Paulo – onde o candidato do Partido Republicano Brasileiro (PRB) ao Executivo, Celso Russomanno, lidera as intenções de voto -, a Igreja Universal coloca em prática sua estratégia de dominação política. Segundo o presidente nacional do PRB e também bispo Marcos Antonio Pereira, a meta para 2012 é a eleição de pelo menos 100 prefeitos e até dois mil vereadores, em todo o país.
Questionado pela relação da campanha de Russomanno com a Igreja Universal e a TV Record - em uma entrevista concedida ao portal UOL e Folha de São Paulo, no último dia 26 de setembro - Marcos Pereira saiu em defesa da laicidade do Estado e a total independência administrativa, caso Russomanno seja eleito, mas teve dificuldade em explicar o motivo da composição “evangélica” do partido – dos 18 dirigentes nacionais pelo menos dez são oriundos da Igreja Universal ou da TV Record, segundo apontamento feito pelo cientista político Claudio Gonçalves Couto.
Um projeto de Deus
De olho no crescimento dos evangélicos no Brasil – sendo hoje algo em torno de 42,3 milhões, segundo última estimativa feita pelo IBGE – o bispo Edir Macedo lançou seu plano de domínio do Brasil, conclamando os crentes a participarem da tomada do Poder. Afirmando seguir orientações divinas, Macedo relaciona à chegada ao poder como um projeto “elaborado” e “pretendido” por Deus.
"Vamos nos aprofundar, através desta leitura, no conhecimento de um grande projeto de nação elaborado e pretendido pelo próprio Deus e descobrir qual é a nossa responsabilidade neste processo. [...] Desde o início de tudo Ele nos esclarece de sua intenção de estadista e de formação de uma grande nação." (Plano de Poder, pág. 8)
A Bíblia, segundo Macedo, não é apenas um livro de orientações religiosas ou de exercício da fé, mas também um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político e de governo. “Somente quando todos ou a maioria dos que a seguem estiverem convictos de que ela é a Palavra de Deus, então ocorrerá a realização do grande sonho Divino”, conclui Macedo colocando-se como canal da realização do “grande sonho Divino”, que é o estabelecimento do Brasil como nação “evangélica”.
Lançado às vésperas das eleições municipais de 2008, o livro Plano de Poder revela o prognóstico feito por Edir Macedo em seu plano de tomada do governo. Nele ressalta que tudo é uma questão de engajamento, consenso e mobilização dos evangélicos. “Nunca, em nenhum tempo da História do evangelho no Brasil, foi tão oportuno como agora chamá-los de forma incisiva a participar da política nacional (...). A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal”, afirma Macedo.
Semelhanças
As estratégias definidas e seguidas por Edir Macedo possuem paralelos com diversos movimentos destrutivos dos EUA e Europa, mas, em especial, com a Igreja da Unificação, fundada em 1954 pelo Rev. Moon (1920–2012). Assim como a IU, a Igreja Universal encara a formação da opinião pública e o recrutamento de seguidores como elementos cruciais para o alcance de seus objetivos. Desenvolve, assim como na IU, uma acirrada guerra contra meios de comunicação e religiosos concorrentes, além de investir em times de futebol com foco em marketing de massa, e na ideia de que estão “colaborando” com o estabelecimento do Reino de Deus, no mundo. Acima de tudo, dizem atuar como canais de comunicação de Deus e dão forte ênfase ao crescimento financeiro – sinal, segundo as igrejas, da retribuição divina.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Em ano eleitoral, o debate em torno da necessidade de laicidade do Estado fica mais frequente, e torna-se motivo de avaliações diversas sob pontos de vista ainda mais variados.
O jornalista e pesquisador sobre religião Johnny Bernardo publicou artigo sobre o assunto no site Genizah, e em sua análise, prognosticou que “a religião terá maior espaço nas gerações futuras do que na Antiguidade”.
Essa previsão, segundo Bernardo, se explica pelo fato de que cada vez mais, o debate em torno dos rumos da nação se dá a partir do ponto de vista religioso, e as disputas eleitorais ocorrem em torno de princípios que agradem às religiões e religiosos: “Nos países seculares ou laicos – mesmo que mantida a distância entre religião e Estado – há uma forte influência das organizações religiosas, pondo em risco os limites estabelecidos pelo republicanismo. Estados Unidos e Brasil são dois países onde a religião é tema frequente de debate e disputa política”, ilustra.
- Apesar de todos os conceitos pré-definidos na cartilha republicana e da luta por um Estado laico, a tendência mundial é a da divisão religiosa. Inevitavelmente o mundo caminha para teocracias, estados confessionais e um crescente fanatismo religioso. São consequências do desenvolvimento tecnológico, do isolamento cada vez maior da humanidade – observa o pesquisador evangélico.
Por Tiago Chagas, do Gospel+
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O jornalista e pesquisador evangélico Johnny Bernardo escreveu um artigo analisando o fenômeno de igrejas pentecostais que ressaltam a imagem de seu líder e/ou fundador, associando-a à da própria denominação.Citando estudos sobre religião, realizados por pesquisadores internacionais, Bernardo diz em seu texto publicado no Genizah, que a receita usada por essas denominações é “associar o crescimento das corporações religiosas ao forte apelo de suas lideranças”.Fazendo comparação entre as denominações pentecostais que mais crescem, Johnny Bernardo afirma que existem diferenças na forma como tais igrejas aliam suas imagens à de seus líderes: “Enquanto na IURD não há uma preocupação em estampar em suas sedes e filiais o nome e imagem do fundador – embora a associação tenha se estabelecido de outras maneiras, como pelo lançamento da recente biografia de Edir Macedo, Nada a Perder -, nas demais igrejas neopentecostais a definição [...] ganha forma e dimensão. Amparadas nos programas televisivos, a imagem de R. R. Soares, Valdomiro Santiago e Roberto Damásio são reproduzidas nas fachadas e banners de suas denominações. O objetivo, como nos movimentos destrutivos, é a perpetuação da imagem e influência do líder máximo. Outra estratégia é a imitação da entonação da voz, gestos e vestimentas dos fundadores, usada nas filiais pelos representantes hierárquicos”.Para o pesquisador, “o principal problema com relação à associação da imagem de um líder com uma igreja que tenha fundado ou exerce autoridade é a perpetuação no poder, ou seja, o coronelismo evangélico”.Johnny Bernardo cita o pastor Silas Malafaia e a mudança de nome da denominação que preside como exemplos negativos: “A mudança na Assembleia de Deus da Penha (RJ) para Assembleia de Deus Vitória em Cristo é um claro exemplo de descaracterização. Ao associar a imagem do fundador do Ministério Vitória em Cristo, o Pr. Silas Malafaia, com a denominação da qual passou a ser o presidente, a AD da Penha perdeu parte de sua identidade”.Fonte: Gospel+Acompanhe outras menções publicadas no Gospel+

Inspirados no “sucesso” das igrejas neopentecostais, pais de candomblé do Rio de Janeiro decidiram dar um giro de 360 graus com o objetivo de atrair mais fieis. Com direção da Yalorixá Ya Yasmim de Iemanjá, e babalorixás Geremias de Ogum e Lázaro de Omulú, a Catedral Mundial dos Orixás ou Centro Espírita Ylê - Axé, com sede na Travessa Damião de Aguiar, nº 49, Maria das Graças, zona norte do Rio de Janeiro, tem chamado atenção por conta de seus trabalhos (“espirituais”) comparáveis ao Neopentecostalismo.
Além dos tradicionais jogos de tarô e de búzios, os pais de santo do Centro Espírita Ylê - Axé realizam sessões de cura e divulgam suas consultas em meios de comunicação do Rio de Janeiro e São Paulo, como em outdoors, programas radiofônicos e televisivos. Na rádio Metropolitana AM e TV NGT, são veiculados depoimentos de “cura” e utilizadas frases e palavras típicas de pastores neopentecostais, como "através de sua fé", "auxilio espiritual", "romper todos os obstáculos", "não se entregar", “equipe”, “fé”, “corrente”, "gente" etc.
Acompanhe, aqui, um dos vários depoimentos onde expressões, articulações e métodos de persuasão inspirados no Neopentecostalismo são utilizados pela liderança do CEYA.
Histórico
Principal líder e mentor do Centro Espírita Ylê - Axé, o pai-de-santo Donizete Souza Braga, conhecido como Geremias de Ogum, nasceu em outubro de 1952, em Candeias (BA). Aos cinco anos diz ter realizado seu primeiro “milagre”, quando, segundo o site do CEYA, teria “ressuscitado” um passarinho vítima de uma baladeira (estilingue). Aos 12, sua mãe, que havia sido diagnosticada com câncer, é “curada” após Donizete Braga realizar seis horas de preces. Em julho de 2001, novo “milagre”: uma mulher chamada Nádia, que sofria com um câncer de estômago, também teria sido “curada” após intervenção de Braga.
Apesar de famoso pelas “curas” e o fato de ter recebido, em 2009, a Honraria de Doutor Comendador da Ordem JK, Geremias de Ogum teve sua passagem pela justiça. Acusado de falsidade ideológica, foi preso em flagrante no dia 13 de julho de 2005, após determinação do então presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Antônio de Pádua Ribeiro. Segundo a Conjur, o investigado se fazia passar por padre em São Paulo e pastor em Santa Catarina, além de aplicar golpes em agências bancárias do Rio de Janeiro. Em julho de 2006, a 6ª Turma do STJ concedeu, por unanimidade, habeas-corpus em favor do pai-de-santo Donizete Souza Braga, segundo informações do Espaço Vital. Procurado, o Centro Espírita Ylê - Axé não se manifestou.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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pesquisasreligiosas@gmail.com

Se no ditado popular "religião e política não se discute", na vida pública a distância entre Estado e Religião deve ser preservada. A teocracia, comum em alguns países árabes, tem como marco principal a interferência - não divina, mas religiosa - no cotidiano das pessoas. A interferência por vezes é caracterizada por imposições doutrinárias, punições aos delitos e perseguição às religiões concorrentes. Nos estados confessionais, apesar de garantida a liberdade de culto aos demais credos religiosos, há primazia e até favorecimento da religião oficial.
Nos países seculares ou laicos - mesmo que mantida a distância entre religião e Estado – há uma forte influência das organizações religiosas, pondo em risco os limites estabelecidos pelo republicanismo. Estados Unidos e Brasil são dois países onde a religião é tema frequente de debate e disputa política. A formação histórica explica, em parte, a presença da religião na vida política dos norte-americanos – a disputa presidencial entre o evangélico Barack Obama e o mórmon Mitt Romney tipifica todo um contexto histórico em que religião e política mesclam-se no debate público.
Apesar de reconhecidamente laico – conquista alcançada com a proclamação da República e a Constituição de 1891 -, o Brasil continua sob forte influência de líderes e grupos religiosos. Nos séculos seguintes, com a explosão do fenômeno pentecostal e neopentecostal – hoje englobando algo em torno de 42,3 milhões de evangélicos, segundo o Censo 2010 do IBGE –, a religião volta a ser tema de debate e especulação política. Em São Paulo e Rio de Janeiro – e também nas demais capitais do Brasil - templos evangélicos são disputados palmo a palmo por candidatos ao paço municipal. A corrida rumo à prefeitura de São Paulo mostra, por exemplo, que a massa evangélica pode ser decisiva na conquista de um pleito e, por isso, tem sido foco da disputa dos três primeiros colocados nas pesquisas.
Ausência de laicidade
Tanto no Brasil como nos Estados Unidos a presença de símbolos religiosos em repartições públicas, ensino religioso pautado de acordo com a religião dominante e a influência de religiosos nas decisões dos governos é um claro indício de fragilidade republicana. A laicidade pressupõe neutralidade em assuntos que dizem respeito unicamente às entidades religiosas, decisão com base no interesse nacional etc.
Apesar de todos os conceitos pré-definidos na cartilha republicana e da luta por um Estado laico, a tendência mundial é a da divisão religiosa. Inevitavelmente o mundo caminha para teocracias, estados confessionais e um crescente fanatismo religioso. São consequências do desenvolvimento tecnológico, do isolamento cada vez maior da humanidade. A religião terá maior espaço nas gerações futuras do que na Antiguidade.
Johnny Bernardo
é pesquisador, jornalista, escritor, colaborador da revista Apologética Cristã, do jornal norteamericano The Christian Post, do NAPEC (Núcleo Apologético Cristão de Pesquisas), palestrante e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e seitas do mal.
É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.
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Pesquisadora de movimentos religiosos dos Estados Unidos, Margaret Singer declara que a força de uma organização está em seu fundador. Outros pesquisadores norte-americanos, como Rick A. Ross e Michael Green, são unânimes em associar o crescimento das corporações religiosas ao forte apelo de suas lideranças. Carisma, capacidade de comunicação e persuasão, são algumas das características de um líder de uma seita, apontadas pelos pesquisadores. A comparação - feita por Singer e seguida por Ross e Green – acontece em meio a um país cuja história é marcada pela presença de movimentos religiosos de ambições universais, cujos líderes exercem forte influência sobre seus seguidores. Mitt Romney é um exemplo de associação política – religiosa. Caso eleito, Romney será o primeiro presidente mórmon dos Estados Unidos. No mundo árabe, onde política e religião mesclam-se, religiosos, políticos e mártires são expostos em grandes outdoors, como forma de inspiração e reverência.
No universo pentecostal e neopentecostal brasileiro há algo semelhante em desenvolvimento desde fins da década de 70, com o surgimento da Igreja Universal do Reino de Deus. Se bem que em algumas igrejas pentecostais anteriores a década de 70, como, por exemplo, na Igreja Pentecostal Deus é Amor, é com a IURD que a imagem do líder e fundador começa a ser usada como forma de identificação do grupo religioso. Com a presença nos meios de comunicação, começando na extinta TV Tupy, a imagem de Edir Macedo começa a ser associada à IURD, possibilitando o acesso de novos adeptos. Estratégia seguida e adaptada pelos movimentos posteriores à Igreja Universal, como pela Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus, e, mais recentemente, pela Igreja Mundial Renovada.
Enquanto na IURD não há uma preocupação em estampar em suas sedes e filiais o nome e imagem do fundador – embora a associação tenha se estabelecido de outras maneiras, como pelo lançamento da recente biografia de Edir Macedo, Nada a Perder -, nas demais igrejas neopentecostais a definição proposta por Singer ganha forma e dimensão. Amparadas nos programas televisivos, a imagem de R. R. Soares, Valdomiro Santiago e Roberto Damásio são reproduzidas nas fachadas e banners de suas denominações. O objetivo, como nos movimentos destrutivos, é a perpetuação da imagem e influência do líder máximo. Outra estratégia é a imitação da entonação da voz, gestos e vestimentas dos fundadores, usada nas filiais pelos representantes hierárquicos.
Na Igreja Pentecostal Deus é Amor, Comunidade Cristã Paz e Vida e grupos minoritários há algo semelhante ao que ocorre nas igrejas neopentecostais. Na IPDA, por exemplo, passado o Jubileu de Ouro, as placas das filiais estão sendo substituídas por outras mais modernas, com a imagem de David Miranda e sua coleção particular de cadeira de rodas e muletas – frutos de suas campanhas “milagrosas” na sede mundial e em cruzadas evangelísticas pelo mundo. Na Paz e Vida o Pr. Juanribe Palharim também ocupa posição de destaque como fundador e presidente, e sua imagem é veiculada no site e fachadas das filiais. Outras denominações não alinhadas com os grupos neopentecostais, como a Assembleia de Deus de Belém do Pará traz como principal referência à ideia de que é a “Igreja Mãe”. Nos meios de comunicação e filiais da AD Belém, o Pr. Samuel Câmara também aparece em destaque e o principal motivo é a disputa pelo comando da CGADB.
Problemas
O principal problema com relação à associação da imagem de um líder com uma igreja que tenha fundado ou exerce autoridade é a perpetuação no poder, ou seja, o coronelismo evangélico. O nepotismo religioso ocorre com mais frequência em grupos cujos líderes exercem poder absoluto sobre os membros, e cuja excessiva veiculação de imagem pode ocasionar a descaracterização cristã da denominação. A mudança na Assembleia de Deus da Penha (RJ) para Assembleia de Deus Vitória em Cristo é um claro exemplo de descaracterização. Ao associar a imagem do fundador do Ministério Vitória em Cristo, o Pr. Silas Malafaia, com a denominação da qual passou a ser o presidente, a AD da Penha perdeu parte de sua identidade e objetivo natural.
Johnny Bernardo
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Quase ao mesmo tempo em que rebeldes líbios protestam contra o filme "Innocence of Muslims" ("A Inocência dos Muçulmanos"), por supostamente conter "insultos" contra Maomé, nos EUA e Canadá adeptos da Cientologia organizam um boicote ao filme "The Master". Dirigido e co-produzido por Paul Thomas Anderson, "The Master" ("O Mestre") tem como mote um intelectual carismático interpretado por Philip Seymour Hoffman, que, em 1950, organiza um pequeno grupo religioso nos EUA e alcança seu primeiro adepto e futuro braço-direito - um andarilho interpretado por Joaquim Phoenix.
Devido algumas semelhanças com o fundador da Cientologia, L. Ron Hubbard (1911 - 1986), cientologistas planejam boicotar o filme. Antes das exibições nos festivais de Veneza e Toronto, "The Master" foi exibido ao ator e também cientoligista Tom Cruise, que criticou parte do enredo. Apesar das críticas, Anderson e Hoffman negam qualquer semelhança.
Sem estreia prevista no Brasil, "The Master" será exibido nos EUA no próximo dia 12 de outubro e promete mais protestos.
Ameaças
De acordo com o jornal New York Post, o produtor e proprietário da Weinstein Company - empresa responsável pela produção de "The Master" -. Harvey Weinstein, nos últimos dias vem recebendo ameaças telefônicas e teve de reforçar a segurança para a participação numa premiére de Nova York.
Conhecidos pela maneira rígida como tratam seus "oponentes", os adeptos da Cientologia utilizam uma prática conhecida como "vale tudo", exemplificada nas palavras de R. Ron Hubbard: "os inimigos devem ser enganados, processados, fraudados ou destruídos." Nos EUA e nos demais países onde atua, a Cientologia mantem e desenvolve listas detalhadas de seus principais inimigos e críticos.
Johnny Bernardo
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